Por que ter mais marchas na transmissão automática

Por que ter mais marchas na transmissão automática

Por que ter mais marchas na transmissão automática?

A história da locomoção humana é fantástica. Desde o início dos tempos o homem busca maneiras de chegar de um ponto A a um ponto B. Isso foi passando por gerações e séculos de desenvolvimento, guerras, conflitos diversos e – principalmente – pessoas que se dedicaram a criar esses instrumentos de conquista e poder.
Nesse sentido de transporte chegamos aos automóveis. Quando Karl Benz criou o primeiro automóvel talvez não pensasse em tudo que ocorreria em mais de 200 anos à sua frente. Porém foi um ponto inicial que verdadeiramente revolucionou o planeta.
Juntamente com os automóveis viriam também os caminhões, essenciais no transporte e distribuição de mercadorias entre vilarejos, cidades, estados e até países, se levarmos em conta as necessidades que vemos em alguns lugares. Nesse sentido também surgiram as motocicletas, que foram derivadas dos cavalos, no sentido prático, e acabaram se tornando também uma referência para a função de levar pessoas e mercadorias.

O que Bertha Benz não imaginou naquela tarde na qual utilizou a criação de seu marido para ir até a casa de sua mãe é que estava fazendo uma verdadeira revolução na sociedade. A diminuição de distâncias fez com que novos setores da economia também se desenvolvessem, como o turismo e a possibilidade de trabalho em outras cidades.
A criação, concepção e desenvolvimento de novos motores também criou a necessidade de um instrumento para que eles pudessem chegar a determinadas velocidades. Isso tudo pensando no que já foi dito em termos de diminuir distâncias e também o tempo para cobri-las.
Os motores estacionários funciona em apenas determinadas rotações e têm uma função diferente. No caso dos veículos a necessidade de locomoção fez com que surgissem as caixas de transmissão, inclusive para movimentá-los não só para frente mas também para trás, em pequenas ou grandes manobras.
Vários modelos de transmissão foram utilizados nesta fase de evolução dos automóveis. Inicialmente começamos com as manuais e de caixa seca, que recebeu esse nome pois não tinha anéis sincronizadores, o que exigia habilidade dos motoristas. Apesar do nome sugestivo elas traziam lubrificação.

A primeira caixa de câmbio automática que se tem notícia é de 1904. O sistema bastante primário utilizava pesos para a troca de marchas, com duas velocidades. Muitas vezes ao passar em buracos esses pesos sofriam algum tipo de problema e causavam erros na transmissão. Mas ela foi muito importante para novas ideias.
Já na década de 20 o engenheiro canadense criou uma transmissão automática com quatro velocidades, sem marcha a ré, e que usava o vácuo para a mudança e não um fluido hidráulico. Essa invenção foi patenteada utilizada pela Chevrolet e suas marcas irmãs durante mais de uma década.
Porém o passo mais importante na história do câmbio automático é um grande mérito de dois engenheiros brasileiros: Jose Braz Araripe e Fernando Lemos. Em 1932 eles registraram a patente com a configuração que vemos até os dias de hoje, utilizando acionamento hidráulico. A Chevrolet comprou a ideia e passou utilizar em todos os seus veículos nos anos seguintes.

Curiosamente aqui no Brasil o câmbio automático até pouco tempo atrás era visto como algo de menor valor ou destinado a pessoas com algum tipo de deficiência motora. Sem dúvida é uma daquelas ironias do destino e que deixou o nosso mercado também atrasado nesse sentido por vários anos.
A evolução das transmissões seguiu um caminho curioso. A Chevrolet, por exemplo, utilizou a transmissão Powerglide de duas velocidades durante muitos anos. Até mesmo modelos como Impala e Corvette ainda eram equipadas com ela. Sua história de sucesso foi até 1973.
Nas décadas seguintes o progresso foi se tornando cada vez maior, mas com a mesma base da ideia original. O conversor de torque chegaria na sequência, bem como a maior quantidade de marchas e opções para o motorista. Basicamente tivemos transmissões de três velocidades até a década de 80, de quatro velocidades na sequência e cinco velocidades a partir dos anos 90, com algumas exceções.
Uma vantagem da maior quantidade de marchas se reflete na economia de combustível. Como o motor acaba trabalhando em rotações mais baixas o consequente consumo de gasolina ou etanol é menor. Nesse sentido o benefício para o motorista acaba sendo algo visível.

Afinal, uma quantidade maior de marchas faz com que a transmissão seja mais eficiente ou influencie na economia de combustível? A resposta pode depender de alguns fatores, em especial potência e torque disponíveis. Nos modelos atuais as transmissões geralmente utilizam sétima e oitava marchas em velocidade de cruzeiro.
E nos veículos elétricos, como funciona? Geralmente as chamadas “caixa de câmbio” dos modelos elétricos têm apenas uma velocidade e que funciona de maneira diversa. Mas a Bosch, pioneira na injeção eletrônica, já está desenvolvendo um sistema de transmissão variável, como o CVT, para modelos no futuro, com maior eficiência e menor consumo da energia das baterias.

 

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